|
|
|
Quarta-feira, Outubro 25, 2006
Fiz uma entrevista com o Jorge Vieira, astrofísico. Entre umas e outras verdades, ele me disse o seguinte:
"Quando nós produzimos estética e obra de arte, nós estamos produzindo um tipo de organização complexa que é eficiente. Eficiente pra que.
Eficiente pra garantir exatamente a plenitude humana. A humanidade. Então dança é uma dessas atividades. O que há envolvido com a questão do
movimento na dança não é só o movimento, é um projeto evolutivo que vem desde da origem do universo, que visa aumentar o nível de complexidade
por meio de uma progressiva organização que chega às raias do estético. Não deve importar muito pra saturno que os anéis dele sejam fractais.
Mas aquilo ali é uma forma de organização complexa que nós olhamos no telescópio e achamos belíssimo. Aquilo ali é o mundo organizado de
maneira eficiente."
posted by HELENA M F M
5:38 PM
Quinta-feira, Julho 20, 2006
Eu queria escrever alguma coisa engraçada, leve, pra cima, mas não dá.
Então, I can only imagine.
posted by HELENA M F M
11:47 AM
Terça-feira, Julho 18, 2006
Ok, Ok..!
Tava lá no metrô lotadão. Do meu lado três moleques daqueles que adoram causar. Mais pra frente um senhor (bêbado) tb daqueles
que adora causar e foi logo falando 'esse Parreira não presta pra nada, mesmo', e o moleque 'Ôh, tiozão, a copa já acabou!'.
E ficou nesse fala daqui, retruca dali. Um em cada canto do vagão, separados por uma distância de muitas pessoas.
Até que o tiozão, referindo-se a um casal homossexual que estava dentro do vagão, 'esses gay, Deus me livre, sai daqui' e o moleque
não deixou quieto 'tá de preconceito, tiozão"' e uma mulher sentada 'o senhor devia ter mais respeito pelas pesoas, isso é preconceito'
e o moleque 'tá vendo, tiozão, fica na sua'. E quano dei por mim, O VAGÃO INTEIRINHO ESTAVA MANIFESTANDO VAIAS
ENSURDECEDORAS PARA O TIOZÃO PRECONCEITUOSO! TANTO, QUE ELE DESCEU NA PRÓXIMA ESTAÇÃO!!
posted by HELENA M F M
9:16 AM
Quarta-feira, Maio 24, 2006
Cantinho
Este é o meu cantinho no trabalho.
ps. Não, eu não sei diminuir a foto.
posted by HELENA M F M
9:13 AM
Quinta-feira, Março 23, 2006
Outra do bus
Cobrador e motorista conversam.
Cobrador, apontando para a Igreja Nossa Senhora do Brasil:
- Eu vou me casar aqui. O sonho da minha namorada é chegar numa carruagem, como antigamente...
Motorista:
- Que nada, aluga um Jaguar...
Eu:
- E o paletó, é Armani¿
posted by HELENA M F M
9:53 AM
Quinta-feira, Março 16, 2006
Depois de muito pensar, cheguei a uma idéia mais bem definida do que penso sobre orkut.
É como se estivessem todos dentro de um auditório. Vc e todos os seus 'amigos'. Um palco, um microfone e uma platéia. Cada um tem um auditório personalizado e todos têm acesso ao auditório alheio. Então, quando uma pessoa quer se pronunciar ela se levanta, vai ao palco, aponta pra alguém e fala seu 'scrap' ao microfone. Mesmo que o scrap seja para uma determinada pessoa, todos ouvem e podem prestar atenção. Uma maravilha.
É fantástico poder encontrar um velho amigo perdido nesses auditórios e, feito mágica, bastam alguns minutinhos para saber quem é sua namorada, onde trabalha, qual o nome do seu poodle e etc.
Logo surgem as semelhanças entre as pessoas. Então elas se levantam, vão todas ao microfone, EU ADORO ANDAR DESCALÇO!
É a vida num livro aberto. Falar de seus gostos e desgostos. Entrar aleatoriamente num auditório e ouvir de seu professor que ''levará bebida e mulheres na festa do vizinho'' saber dos problemas do cunhado, da atual do ex, da filha do patrão, pontinho, pontinho, pontinho.
Não é difícil imaginar que isto só vai dar certo no dia em que tudo o que vc falar e ouvir no banheiro da balada seja perfeitamente compreendido pelo seu chefe.
Não dá pra juntar todas as pessoas que conhecemos, desde o porteiro até o amante, num auditório só. E ainda querer que todos saibam das relações de todas as pessoas umas com as outras. Vai dar merda!
Mas peraí, as pessoas saem dos auditórios e se relacionam sem precisar de palco e microfone. Sim, e quando uma pessoa te puxa e te fala ao pé do ouvido coisas que só se falam ao pé do ouvido, aí mais tarde vc vai querer entrar no auditório, saber se essa pessoa também adora andar descalça, conhecê-la melhor... e ela sobe no palco, aponta pra outra qualquer, FULANINHA, ONTEM FOI INVRÍVEL!
Fulaninha quem¿ Incrível o que¿ ontem quando ¿
Esse scrap pode significar muitas coisas, mas, inevitavelmente, vc se sente um lixo.
Nesse auditório há um grande paradoxo: IR A PÚBLICO FALAR PARA UMA SÓ PESSOA. Isso não existe. Se foi a público, falou para todos e se falou para todos, mas queria falar para um só, vai dar merda!
posted by HELENA M F M
3:28 PM
Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006
Sobremesa
Então aconteceu um fato inédito, peguei gelatina em vez de salada de fruta. Não por opção, mas era o que restava. Sim, se tem algo que eu não entendo é pq escolher gelatina quando se pode optar por salada de frutas. Gelatina é o tipo da coisa que só se come em festa de criança, na casa da vó, da sogra ou na praia - pq é a sobremesa mais barata e fácil de se fazer e mesmo assim só enquanto esperamos a galera tomar banho, mas nunca num restaurante... a menos que a salada de frutas já tenha acabado.
Muito lindo, muito bonito. Mas confesso que gostei de abdicar das tão saborosas, nutritivas e saudáveis frutas para me divertir com a gelatina. Sim, sim. Por mais que tenha me sentido ridícula, não dá pra comer gelatina sem dar at least uma bochechadinha!
posted by HELENA M F M
11:39 AM
Segunda-feira, Janeiro 30, 2006
O homem não pode ver uma mulher sozinha em apuro que logo acha que é Deus, parte I.
Acha que pode inventar os maiores disparates como fossem verdades absolutas. Sim, pq às cinco da manhã eu estava sozinha e encontro o pneu do meu carro furado, aí vem o moço do estacionamento querendo me convencer de que, O pneu furou do nada, mesmo. As vezes é assim, ué...uma hora o pneu fura! Notem que ele falou fura, e não esvazia ou murcha. Mas mesmo que fosse, não acho que um pneu murcho na Faria Lima às cinco da manhã seja apenas obra de Deus, a menos que este Deus trabalhe num estacionamento.
O homem não pode ver uma mulher sozinha em apuro que logo acha que é Deus, parte II.
Acha que se ele não pode te salvar, então ninguém pode. Sim, pq às cinco da manhã eu estava sozinha e encontro o pneu do meu carro furado, aí vem o moço do estacionamento e tenta me convencer de que o pneu furou sozinho e como eu não costumo falar com quem subestima minha inteligência, toquei pro posto, É o seguinte, dona, eu até trocaria o pneu pra senhora, mas o estepe não vai agüentar o peso do carro. Agora não tem borracharia aberta, então fica impossível, faz assim, vai bem devagarinho. Notem que ele nem tentou encher o estepe, pq é impossível. Notem tb o tratamento, Dona e Senhora, digno de Deus.
O homem não pode ver uma mulher sozinha em apuro que logo acha que é Deus, parte III.
Sim, pq às cinco da manhã eu estava sozinha e encontro o pneu do meu carro furado, aí vem o moço do estacionamento e tenta me convencer de que o pneu furou sozinho e como eu não costumo falar com quem subestima minha inteligência, toco pro posto, onde descubro que a única saída é seguir devagarinho. Então cá estou, vagarosamente parada no farol. Buzina. Buzina de novo. Como não costumo falar com mais de dois Deuses na mesma noite, ignoro. Buzina. Eu olho. Um homem num carro caindo aos pedaços com sua numerosa família amontoada no banco de trás, Quer ajuda pra trocar o pneu¿ Creio que este nem pretendia ser Deus, mas what if God was one of us.
posted by HELENA M F M
3:18 PM
Terça-feira, Janeiro 17, 2006
Me chame de louca, mas se eu chego em casa no fim da tarde e encontro a cozinha revirada quando meu único desejo era encontrá-la limpinha, então eu mesma limpo tudinho. Saio. E chego de novo. Sim, pq se meu irmão que não tá fazendo necas não ajuda, então resta eu. Pq se eu quero chegar em casa e encontrar o mínimo de paz e ordem, então eu mesma faço. Não que isso diminua a minha revolta, mas não dá pra viver na merda. Uno as minhas forças, lavo a louça todinha cantando, vou até a rua e volto. Abro a porta, entro e, agora sim, chego em casa aliviada.
posted by HELENA M F M
8:51 PM
Quinta-feira, Dezembro 29, 2005
from: helena
to: pro
Cara, ontem meu irmão viajou e eu fiquei all alone. E já que a casa é minha, aproveitei pra dar uma geral, banheiro, cozinha, sala e quarto; Vi Alma Gêmea ('as metades da laranja, dois amantes, dois irmãos..') e bafucá que eu vou continuar aqui e bodear no sofá vendo Belíssima. Lavei o rosto e saí rumo ao bar da Santos, aquele 24h já bem familiar. Tomei uma cerveja. E que fazer se não há praia... Fui caminhar na Paulista.
Altas famílias levando as crianças pra passear. Desci a Augusta onde sei que tem alguns barzinhos bem animados e parei numa dessas barraquinhas de biju na calçada. Surgiu o assunto Maresias de algum canto e papo vai, papo vem, tava eu explicando a diferença entre Maresias e Camburi, o tamanho das praias, o público e tals... O dono da barraca queria ir pro litoral norte vender a arte dele, colares e braceletes bem legais por sinal, até comprei um, e quando vi, ele já tava me contando a história dele, que já morou no Rio, já foi pra Bolívia e pro Peru e então, depois de alguns minutos de conversa eu perguntei o nome dele. ... Weber. Pausa. Onde foi que já ouvi esse nome antes" Suspiro. Nem vou dizer que geral caiu o queixo. Pedi pra ele soletrar o nome umas três vezes e era isso mesmo. Eu parei pra conversar com um vendedor de biju na Augusta e sem mais nem menos ele se chamava Weber. Até me chamou pra tomar uma cerveja rápida num bar pertinho. Bem rápida mesmo pq a barraca não podia ficar muito tempo abandonada. Enfim me despedi. Do Diego tb, outro que estava lá, um mineiro. São Paulo é louca. As coincidências ainda mais. Eita cidadezinha arretada.
posted by HELENA M F M
1:18 PM
Terça-feira, Dezembro 27, 2005
Palito premiado
Quando eu era pequenininha uma das minhas grandes alegrias nas férias era tirar o palito premiado do sorvete.
Aí eu ia correndo atrás do sorveteiro na praia e pedia o meu sorvete premiado.
As férias encurtaram, os sorvetes rarearam, os premiados extinguiram-se.
Este ano eu quase não tirei férias. Provavelmente não verei a praia. Trabalhando em pleno sol de dezembro.
E eis que depois do almoço de Natal na casa de papis, saboreando meu Chicabon, vejo estampado no palito de madeira: Vale um Frutare !
Um palito premiado. Foi o melhor presente que eu poderia ganhar!
posted by HELENA M F M
12:57 PM
Terça-feira, Novembro 29, 2005
Da série: eu ouvi no busão...
Eu lá sentadinha e dois garotos no banco de trás conversando. Entendi que estavam falando sobre a FUVEST, pq um deles disse:
-- Sábado eu fiz a FUVEST!
Sábado¿ Eu tenho pra mim que a FUVEST foi no domingo, mas se ele que fez a prova tá falando, então tá...
E o outro perguntou:
-- E que tipo de pergunta que cai¿
-- Ah... a FUVEST é tipo assim, vc pode estudar tudo, sempre cai o que vc não estudou!
-- Mas, tipo... que tipo de pergunta¿
-- É tipo assim, tem uma pergunta e quatro respostas...
Quatro¿ Eu sempre achei que as alternativas fossem: a, b, c, d, E, mas se ele que fez a prova tá falando, então tá...
Então o outro entendeu perfeitamente do que se tratava:
-- Ah, sei! É tipo prova psicológica!
-- É, mais ou menos... a prova de português tinha umas questões assim.
-- Tá... é prova psicológica, mesmo. Tipo pra saber se a pessoa entende.
Prova psicológica. Tá. Entendi. Eu concordo em partes, pq se a pessoa consegue ficar 5 horas sentada numa cadeira minúscula,
desconfortável, sob calor e pressão, resolvendo questões que têm quatro respostas tipo psicológicas,
então a pessoa deve ter uma psique relativamente equilibrada.
Mas aí o garoto que fez a prova, vendo que seu colega tava achando tudo muito fácil, salientou:
-- Pode até ser psicológica, mas tem que acertar!
-- É, eu sei. Tipo pegadinha, vc tem certeza que a resposta é aquela, mas aí é a outra. Já fiz esse tipo de prova no C.F.C. ...
Vcs entenderam, né¿ Existe uma comparação de equivalência entre a prova psico-técnica feita para tirar carteira de motorista no Centro de Formação de Condutores e a prova psicológica da FUVEST! É por isso que eu adoro andar de ônibus!
posted by HELENA M F M
11:33 AM
Quinta-feira, Novembro 24, 2005
hoje eu tava péssima...
'hoje tava péssima. crise forte de rinite. rosto inchado, nariz entupido, olhos pesados. menstruada. aí eu resolvi passar na
farmácia. tomar o único remédio que me faz melhorar na hora. o nome da farmácia, hägen dazs!'
posted by HELENA M F M
4:02 PM
Segunda-feira, Outubro 10, 2005
Miss Teacher
Foi logo depois do episódio Mr. Dólar, que uma mulher, professora do estado, em situação empregatícia estável graças a uma lei federal que não permite que ela seja demitida, diferente de sua amiga-professora cujo emprego depende apenas das leis estaduais e que, portanto, corre o risco de ser demitida um ano antes de sua aposentadoria, moradora da periferia onde as pessoas gostam de fofocar, e, sobretudo, orgulhosa por ter ajudado um homem epiléptico, cego de um olho, deficiente físico, desempregado, três filhos com fome e nada de pão, ela veio ter comigo. Sim, ela me contou toda a condição de sua vida de professora estadual e ainda todos os problemas da educação do país, sendo específica na descrição de cada aluno até chegar às malditas leis de não-reprovação. O mais impressionante é que em momento algum eu fiz cara de estou adorando a sua história. Não. Eu olhava pra ela, não dizia palavra e pensava, já deu] era só isso] E a história interessantíssima fluía e eu, nada. Nem um sorriso. Foi quando uma moça ao lado, uma das únicas como eu que não doaram nem um centavo ao pobre do moço estrupiado, ficou com pena do monólogo da mulher e fez um comentário inocente. Salvou-me. Obrigada. E abriu a porta e a janela pra professora dar sua aula de devemos ajudar o próximo. A mulher desembestou a falar; contou tudo e mais um pouco; contou da vizinha que recolhe todos os animais na rua e guarda dentro de casa, contou que como são muitos bichos doentes juntos, alguns morrem, contou que os vizinhos falam mal da moça que mata animais, contou do livrinho didático pra segunda série que fez tanto sucesso que vendeu até a oitava série, contou que o método do livro era construtivista, assim bem simplinho, mas apesar de não ser o mais próprio, era melhor que nada, contou que o estado quer comprar televisões pras escolas e a verba vem da demissão de professores, contou que a televisão não ensina, quem ensina é o professor, contou tudo isso não pra mim, pra outra. Ninguém mandou comentar, nunca comente. No máximo um aceno. E só. Mas eis que a situação se inverteu. O comentário da outra não tinha nada de inocente e o blá blá blá mudou de pessoa, a outra começou a pregar, A gente tem que tomar cuidado quando ajuda as pessoas. Não adianta dar dinheiro e achar que vai matar a fome do mundo. Eu trabalho com pessoas carentes, sei como é. E posso te dizer com certeza, 99% das pessoas carentes mentem.
PRONTO! Vcs imaginam a cara da professora toda orgulhosa por ter ajudado homens epilépticos dentro do ônibus ao saber, através da sua mais nova companheira e amiga confidente, que pessoas carentes, com epilepsia, filhos passando fome, mulheres com asma, desempregados, meio corpo paralisado, rosto deformado, platina na bacia e no crânio, MENTEM. Cara, essa foi demais!
posted by HELENA M F M
3:29 PM
Quinta-feira, Outubro 06, 2005
Mr. Dólar
Estava no ônibus sentada num daqueles bancos mais altos, a caminho da faculdade.
Entra pela porta da frente um moço que, por uns 7 minutos ininterruptos, conta a desgraça de sua vida. Como o ônibus estava cheio, nunca cheguei a ver o possuidor de todas as ruindades do mundo; dentre elas, sua mulher sofria de asma, ele de epilepsia causada por um assalto que lhe rendeu pauladas pelo corpo e na cabeça, um tiro de raspão no pescoço, perda total da visão de um dos olhos, um tiro na bacia, paralisia da metade esquerda do corpo e deformação do rosto. Mas, toda essa gigantesca dor não era o motivo pelo qual o sujeito se sacrificava dentro de um ônibus lotado pedindo uma moeda, um tick, um real ou qualquer ajuda que Deus vê e pega em dobro. Não. Ele, que era homem direito e trabalhador e honesto e digno e poderia estar roubando, mas não está, perdera o emprego por um infortúnio da vida. Mas tinha três filhos pequenos pra criar e por isso estava ali; porque sua dor maior era acordar de manhã e ouvir o filho inocente chorar pedindo um pão, papai, um pão pra comer. E nada de pão. E a voz do homem se fez aguda e aperta o coração. Foi este o ápice do discurso; não vou nem discorrer sobre os tantos meses que passou internado e o altíssimo preço do remédio pra epilepsia que só se vende em farmácias de manipulação. A questão era o pão e o povo estava ganho. Foi quando finalmente falou que passaria um saquinho pra recolher as contribuições, que o ônibus inteiro, digo 90% das pessoas, sem exagero, doou seu mais nobre real. O saquinho vazio encheu-se de maneira assustadora. As pessoas faziam questão de dar notas. Notas de um, dois, cinco reais. Moedas eram ofensivas perto do sofrer daquele homem. Em meio àquele fervor, em que as pessoas comovidas levantavam o dinheiro alto, orgulhosas, dizendo eu também ajudo, foi que eu vi passar uma nota de um dólar. Não. Pára. Isso foi longe demais. As pessoas perderam o limite da razão. Imagino que o dono do dólar guardava aquela nota com grande carinho. Certamente o único dólar da carteira esperava uma ocasião especial; e ela chegara. Precisamente o dólar, com seus poderes terapêuticos, devia ajudar aquele ser sofredor, epiléptico, desempregado, sem uma das vistas, com metade do corpo paralisado, o rosto desfigurado, platina na bacia e no crânio, três filhos, nenhum pão e, nada menos, um discurso magnífico.
posted by HELENA M F M
10:17 AM

|